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Medicina e indústria

23/12/2009 06:26:18

Autor: Dr. Moacyr Scliar
Cargo: Médico e escritor

A medicina brasileira tem um novo código de ética; já publicado no Diário Oficial da União, entrará em vigor em março de 2010.

Profissões como a medicina, na qual os aspectos morais são absolutamente relevantes, precisam de documentos como esse. Na verdade, o chamado juramento de Hipócrates já era uma abertura neste sentido. É claro que o pai da Medicina sequer sonhava com problemas como a escolha do sexo do bebê nas clínicas de reprodução assistida e situações similares, daí a necessidade de reatualização periódica do Código, um processo que, no caso, exigiu dois anos de debates e o exame de quase 3 mil propostas. Um dos dispositivos do novo Código chama a atenção: diz que os médicos não podem vender medicamentos ou ganhar comissão da indústria por produtos que recomendarem. Mais: em palestras e trabalhos científicos, os profissionais precisam deixar claro se são patrocinados por empresas ou instituições.

É uma relação complicada, essa, entre medicina e indústria. Não há dúvida de que o fantástico progresso resultante da aplicação da ciência e da tecnologia – progresso do qual resultaram novos medicamentos, novas próteses, novos equipamentos – salvou muitíssimas vidas. Mas a indústria farmacêutica é indústria, é empresa. Tem donos, tem ações em Bolsa, tem acionistas, e esses, além da gratidão das pessoas, querem também rendimentos, mesmo porque a elaboração de um novo produto é um processo que envolve o risco de prejuízos. Os médicos, que participam nas pesquisas, que receitam os produtos (ou os contraindicam), são para isso fundamentais.

Nasceu daí uma associação que, às vezes, tem aspectos nebulosos, para dizer o mínimo. Arnold Relman, que editava o ultrarrespeitado New England Journal of Medicine (NEJM), falava no “complexo médico-industrial”, uma alusão ao complexo industrial-militar, mencionado pelo presidente americano Dwight Einsenhower. Nos dois casos, a expressão envolvia uma advertência: esse relacionamento não pode ser promíscuo. Um médico leitor do NEJM perguntou certa vez a Relman: “como ter certeza de que o editor não se aproveita de seu conhecimento privilegiado para especular na Bolsa com um medicamento que ele – por ter lido em primeira mão uma pesquisa – sabe que será um grande sucesso de mercado?” “ Você tem de confiar em minha honestidade”, respondeu Relman.

O Código de Ética torna essa honestidade uma obrigação. E, por isso, é bem-vindo.

 

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